
in: bairrada-wines.com
Leitão assado no forno de lenha e Chanfana de cabra são duas das iguarias gastronómicas mais características da região. Para acompanhá-los não faltam em qualquer casa da região néctares produzidos na Bairrada.
Os peixes também não podiam aqui faltar, ou não fosse esta uma zona marcada pela proximidade marítima.
Já no que diz respeito à doçaria, as especialidades locais vão desde os ovos moles de Aveiro, aos pasteis e às queijadas de Tentúgal, sem esquecer os pastéis de Santa Clara, de Coimbra, ou a doçaria conventual do Lorvão.
Variam entre solos argilosos, calcários e arenosos os terrenos predominantes nesta região vitivinícola. As vinhas destinadas à produção de produtos com a denominação "Bairrada" devem estar instaladas em solos "calcários pardos ou vermelhos", em "solos litólicos húmicos ou não húmicos", ou em podzóis de materiais arenáceos pouco consolidados", de acordo com o regulamento para a DOC Bairrada. Descurada não deve ser também a exposição aconselhável para a produção de vinhos de qualidade.
A proximidade do Oceano Atlântico acaba por marcar o clima da região da Bairrada. Regista-se aqui um clima temperado. Os Invernos são frescos, longos e chuvosos. Já os Verões são quentes, mas suavizados de ventos de Oeste e de Noroeste, mais frequentes nas regiões junto ao mar
Destaque para "a grande amplitude térmica (diferença de temperatura entre o dia e a noite) na época do amadurecimento das uvas, chegando a impressionantes 20º C,". Tal pormenor, salienta a Comissão Vitivinícola da Bairrada, "sem dúvida alguma contribui para manter a acidez das frutas, dando grande frescor aos vinhos que delas resultam."
A Bairrada já terá sido afinal no passado uma terra de passagem e de conquistas, de lutas entre cristãos e árabes, aquando da formação de Portugal e numa altura em que a capital do reino era Coimbra. Marco na história da região é ainda o combate contra os exércitos invasores de Napoleão, na serra do Bussaco.
Reflexo de todas as convulsões históricas, mas também factor de desenvolvimento económico na região é a actividade vitivinícola da Bairrada. Reza a história que já no século XIX, os viajantes vinham a estas paragens para degustarem as iguarias gastronómicas e báquicas. Mas a existência de vinhedos na Bairrada remonta a origens mais longínquas.É no século XII que D. Afonso Henriques autoriza a plantação de vinhas na região, a troco de uma parte do vinho produzido. Seis séculos depois, uma ordem do Marquês de Pombal determina o arranque de uma parte da vinha. Terá sido ainda no século XVIII, já no reinado de D. Maria I, que é autorizado novamente o plantio de cepas, permitindo o repovoamento na região.Quanto à origem da designação Bairrada, os eruditos entendem que está relacionada com as características do solo da região, onde o barro é um elemento predominante.Capítulo mais recente na história vitivinícola da Bairrada é o do reconhecimento legal da Região demarcada da Bairrada, em 1979. Viria a ser alterado em 1991. Para além dos vinhos tinto e branco "Bairrada" passam a ser reconhecidos o rosé e o espumante natural "Bairrada."
É de 1998 o decreto-lei que vem alargar a denominação de origem às aguardentes bagaceiras produzidas na região e actualizar o regulamento da Denominação de Origem Controlada (DOC) da região. O termo "Bairrada" pode ser hoje aplicado a vinhos brancos, rosados, tintos, espumantes e aguardentes bagaceiras, produzidos na respectiva área delimitada.Cabe à CVB - Comissão Vitivinícola da Bairrada fazer a certificação da DOC Bairrada. Entre as várias regras estipuladas, o documento determina que estes vinhos devem "provir de vinhas com pelo menos quatro anos de enxertia".Também o método tecnológico a utilizar nos vinhos espumantes Bairrada vem definido no diploma, com a opção pelo "método de fermentação clássica em garrafa."No que diz respeito aos métodos de vinificação para os vinhos brancos e rosados abrangidos por este decreto-lei, deverá ser utilizado o "método de ‘bica aberta' por prensagem directa das uvas ou massas desengaçadas ou maceração pelicular." O documento regula ainda que no caso dos vinhos tintos seja usado o "método de maceração clássica, ou seja, contacto prolongado do mosto com as partes sólidas durante a fase inicial da fermentação, ou método de maceração carbónica longa, ou seja, contacto das uvas inteiras com dióxido de carbono em recipiente fechado, seguido de extracção do mosto e fermentação em fase líquida."Para os vinhos base usados no espumante devem ser usados os métodos indicados para os vinhos brancos, rosados e tintos.Já as aguardentes bagaceiras terão de ser "destiladas em caldeiras tradicionais, a partir de bagaços fermentados frescos de uvas tintas, não ensilados, com eliminação das ‘cabeças' e ‘caudas' de destilação." Os mostos destinados à elaboração dos vinhos devem possuir um título alcoométrico volúmico natural mínimo de 10% vol., para vinhos espumantes e 11% vol., nos vinhos brancos, tintos e rosados.
O título alcoométrico volúmico mínimo das aguardentes bagaceiras está fixado nos 40% vol., contendo um teor de metanol máximo de 400 g/hl de álcool absoluto.
Uma portaria mais recente, de Abril de 2000, vem estabelecer os períodos mínimos de estágio para os vinhos com direito à denominação de origem "Bairrada." Se no caso dos vinhos tintos, brancos e rosados não existe qualquer período de estágio (podendo ser engarrafados e comercializados a partir da data de abertura da respectiva campanha vinícola), já os espumantes carecem de um período mínimo de nove meses de permanência nas instalações após a data do engarrafamento para poderem ser comercializados.